01/12/2010

A CPMF e o empresariado

Eu entendo que o governo Dilma precisa fazer uma reforma tributária dando fim a famosa guerra fiscal entre os estados e desonerando produtos de primeira necessidade. No entanto, a mobilização contra a implementação do CPMF puxada Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul) também tem outros interesses.

Como forma de controle da sonegação a CPMF é 10, pois a contribuição monitora empresas e pessoas físicas que burlam o fisco. Hoje, para cada real arrecadado um é sonegado, segundo especialistas, mas isso não se deve a CPMF. Ou seja, se os empresários pagassem tudo o que deveria ser pago, realmente não seria necessário mais um imposto. Outra situação que parece estranha é que não ocorreu a redução do preço das mercadorias e dos serviços após o fim da CPMF, ou seja, os empresários embosaram a diferença durante todo esse período.  Outro fato que  os  empresários fecham seus olhinhos é a quantidade de desonerações fiscais que as grandes empresas recebem (construção civil, linha branca, máquinas etc), ou seja, deixam de pagar uma boa parte dos impostos que eles realmente pagam.

O argumento de que apenas 45% dos R$ 355 bilhões arrecadados durante a vigência da CPMF foram destinados à saúde é uma meia verdade, haja vista a quantidade de investimento em saneamento básico que foram disponibilizados nos últimos oito anos, como nunca antes visto na história do Brasil. Na minha opinião o que precisa ser corrigido é o fato de que a maioria dos estados, como é o caso do Rio Grande do Sul, inviste menos da metade dos recursos previstos (12%) no setor, enquanto o governo Federal e os municípios não conseguem bancar a diferença. 

Aposto que os mesmos que se manifestam pela não retorno da CPMF são os primeiros que batem na porta dos governos a pedir isenções fiscais. Esses mesmos  arautos da cidadania desfilam em carros importados, muitas vezes blindados,  cotados em centenas de milhares de reais.  Os coitados chegam cansados dos engarrafamentos das ruas e avenidas em  vão descansar em suas luxuosas mansões, e nos finais de semana vão espairecer a cabeça nos lagos e rios nos finais de semana  com seus barcos de alto  luxo. A única coisa certa nisso tudo é que a classe média,há anos , é usada por essa gente para benefício próprio e quem se beneficia são os grandes.  

Foto:  Róbinson Estrásulas

2 comentários:

  1. Não são só os empresários que burlam o fisco. Só não burla quem tem descontado em folha e não tem nada para ser devolvido. No mais todo mundo dá a sua enroladinha na declaração. Menos eu e tu, naturalmente

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  2. Se a federasul é contra a CPMF, o imposto ganhou um defensor.
    flavio cunha

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