9 de set. de 2009

Raul Pont cobra nome de assassino do agricultor Elton

Criminalização dos movimentos sociais é condenada

A criminalização dos movimentos sociais no Rio Grande do Sul foi debatida hoje (09) em audiência pública promovida pela Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa. O Secretário Adjunto da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da Republica, Rogério Sottili condenou o agravamento da situação da criminalização dos movimentos sociais no Rio Grande do Sul e afirmou que a sociedade gaúcha tem força e história para mudar a situação vivida no Rio Grande do Sul. O presidente da CCDH, deputado Marcon fez pedido para que organismos internacionais de Direitos Humanos visite o Rio Grande do Sul para verificar in loco o aumento da violência contra os movimentos sociais patrocinado pelo governo Yeda. O governo do Estado, demonstrando todo o seu desprezo pela Assembleia e pelos parlamentares da Casa, não enviou nenhum representante. O deputado Raul Pont(PT) cobrou que até agora a BM não mostrou o assassino do agricultor Elton e exigiu que o Ministério Público não seja conivente com essa situação. Participaram representantes dos movimentos sociais (Via Campesina, MST, UNE, UBES, DCEs), Centrais sindicais, Federações e Sindicatos de Trabalhadores,Policia Civil, Ministério Público Federal, ONG Justiiça Global de defesa dos Direitos Humanos, e Secretaria Especial de Direitos Humanos da presidência da República.

Para meus colegas que trabalham na CPI da Corrupção da Assembleia

Pelo ritmo que a tropa de choque de Yeda mostrou ontem na Assembleia, essa CPI só vai aprovar os requerimentos depois que o saci-pererê cruzar as pernas e morcego doar sangue, como dizia o grande e saudoso Bezerra da Silva.

Assembleia debate criminalização dos movimentos sociais no RS

A criminalização dos movimentos sociais no Rio Grande do Sul será o tema de debate da audiência pública que a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa promove nesta quarta-feira (9), a partir das 9h30. Foram convidados representantes do Ministério da Justiça, Ordem dos Advogados do Brasil, Secretaria de Segurança Pública do RS, Comando-Geral da Brigada Militar, movimentos sociais (Via Campesina, MST, UNE, UBES, DCEs), Centrais sindicais, Federações e Sindicatos de Trabalhadores,Policia Civil, Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Comissão de Direitos Humanos do Senado e demais entidades .

7 de set. de 2009

Quem tem medo do pré-sal?

Belo artigo do jornalista Leandro Fortes sobre o pré-sal, vale a leitura.

O pré-sal trouxe um problema extra de longo prazo à oposição, sobretudo para os tucanos, cuja sobrevivência política está cada vez mais ameaçada pela falta absoluta de um discurso capaz de se contrapor ao Palácio do Planalto. Até a descoberta das reservas de petróleo do pré-sal, ainda era possível ao PSDB e a dois de seus mais importantes satélites, DEM e PPS, enveredarem-se no varejo das guerrilhas midiáticas montadas sobre dossiês e grampos fajutos. Havia sempre a chance de desconstruir as políticas sociais do governo Lula a partir da crítica fácil (e facilmente disseminada por jornalistas amigos) ao Bolsa-Família, descrito, aqui e ali, como uma fábrica de vagabundos, de jecas tatus preguiçosos e indolentes, sem falar no estímulo à ingratidão de domésticas mais interessadas – vejam vocês! – em criar os filhos do que esquentar o corpo no fogão a troco de um salário mínimo. Agora, o espaço para esse tipo de manobra tornou-se diminuto, para não dizer irreal.


A capacidade futura de gerar recursos do pré-sal, contudo, é circunstancialmente menor que o seu atual potencial político e eleitoral, e nisso reside o desespero da oposição. Há poucos dias, o governador de São Paulo, José Serra, do PSDB, chegou ao ponto de se adiantar ao tempo e anunciar futuras mudanças no marco regulatório do pré-sal, falando como presidente eleito, a um ano das eleições. O senador Álvaro Dias, tucano do Paraná, livre de todos os escrúpulos, admitiu estar atrás de uma empresa americana do setor petrolífero para juntar munição contra a Petrobras. No Senado Federal, um dia depois do anúncio oficial do pré-sal, um grupo de senadores se revezou na tribuna para choramingar contra o projeto eleitoral embutido no evento, quando não para agourar a possibilidade de todo esse petróleo ser usado, como quer Lula, para combater a pobreza no Brasil.


E é nisso, no fim das contas, que reside a tristeza tucana e de seus companheiros de infortúnio. Manter o pré-sal sob responsabilidade exclusiva da Petrobrás, como quer o governo, confere à opção uma cor, digamos, chavista, no melhor sentido da expressão, por deixar ao arbítrio do administrador da riqueza mineral em questão o poder de utilizá-la em programas voltados para o bem estar social, principalmente, nos setores de educação e saúde. Esse poder, que na verdade é do Estado, carrega consigo um óbvio e incalculável potencial eleitoral do qual Lula, que nunca foi bobo, não irá abrir mão. Não por outra razão, ao discursar sobre o tema, em cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente deu uma cacetada nos tucanos ao lembrar ao distinto público da sanha do PSDB, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, em privatizar a Petrobras (chamada pelos tucanos de “último dinossauro” estatal) e rebatizá-la de Petrobrax – uma designação tida como “mais internacional” por mentes notadamente sub-colonizadas.


A perspectiva de utilização de recursos petrolíferos em programas sociais, calcada no modelo adotado por Hugo Chávez, na Venezuela, é a fonte permanente de todo o terror da direita sulamericana, inclusive a brasileira, menos pelo fator ideológico embutido na discussão, mais pelo pavor de deixar nas mãos de um adversário tal instrumento poderoso de financiamento de novas e ainda mais ousadas políticas de distribuição de renda e assistência social. O interessante é que, se tudo der certo, o auge da exploração do pré-sal se dará em 2015, um ano depois, portanto, do mandato do sucessor de Lula. Ou seja, o desespero da oposição está projetado para uma possível reeleição da ministra Dilma Rousseff, que sequer se sabe se será eleita.

Yeda vai à guerra em 2010

Artigo do jornalista Paulo Cesar da Rosa, em Carta Capital desta semana, comenta a reforma de Yeda e a preferência da governadora pelo Partido Progressita - PP para disputar a reeleição em 2010.
"Nesta semana, a governadora Yeda Crusius fez um nova reforma em seu secretariado. Foram substituídos quatro secretários. O objetivo da reforma seria duplo: de um lado, organizar o seu leque de alianças para tentar a reeleição em 2010; de outro, enfrentar a CPI que apura corrupção no governo...." Clica aqui para ler.

5 de set. de 2009

O império contra-ataca

A postura ativa da grande mídia guapa em blindar o governo Yeda e bombar seus aliados é mais uma tentativa de reforçar a imagem do PSDB-Serra que vem por ai. Nem as ações do MPF sobre a corrupção do governo guapo escapam da desqualificação. Quinze dias de Yeda em Sampa (com o silêncio da mídia) já renderam o palanque de Serra por essas terras politizadas (ahahha). O PSDB nacional já fechou o apoio da cúpula do Partido Progressista (PP) do RS à Yeda e a Serra. O dote é a entrega de nacos carnudos dos cargos no governo do RS e, é claro, dar visibilidade política aos parlamentares do PP nas ações e nas obras "laranjas de amostra" no tempo que resta do governo Yeda (PSDB). Essa semana parece ter sido calma, mas foi muito interessante do ponto de vista do xadrez político guasca.

A reação da direita mostra também, mais uma vez, de que lado estão os barões da comunicação, que não exitam em reciclar lixo político e revendê-lo como grife com pompas de novidade. Tudo foi esquecido e a mídia tem memória curta quando se fala dos tantos secretários caídos nesses três anos de Yeda, de tantas armações e falcatruas. Também "esqueceram" que o PSDB, associado ao PMDB e ao PP propuseram manter o tarifaço do govenro Rigotto, e que não se concretizou devido ao rugido das bases desses partidos que rejeitaram defender tamanha incoerência, por isso pressionaram seus deputados na Assembleia a rejeitar o projeto.
A mídia apoiou a venda de 40% do Banrisul, e deu guarida por duas vezes ao governo para que prorrogasse os pedágios até 2028. Nossos âncoras já esqueceram do chefe de gabinete de Yeda, que se mantém no cargo, mesmo que comprovadamente tenha colaborado com a espionagem política de adversários, tendo o aparato de Estado a serviço do PSDB de Lajeado contra o candidato do PT na campanha à prefeitura em 2006. Nem vou falar do assassinato de Jair Costa em 2005 e de Elton Brum em 2009, todos vítimas da violência da Brigada Militar contra os movimentos sociais, temas que já foram amplamente divulgados nesse espaço.

Porém, nada disso que relatei acima é suficiente para impedir a criação do muro da vergonha midiático, contruído às pressas, afinal 2010 e a campanha pró-Serra está aí. Ontem (04), ao final do dia, trancado no trânsito da Capital mais politizada do Brasil, ouvia um jornalista e comunicador da rádio gaúcha no programa das 17h afirmando que "nós" deveríamos ouvir o discurso da governadora na Expointer, pois afinal ela merecia, pois havia chorado, emocionada etc.. Não tive dúvida, desliguei o rádio pois senti uma vergonha danada daquilo tudo.

Aliás, ninguém falou do fracasso de público na Expointer - apenas 420 mil, se comparada aos 740 mil da feira passada - devido aos preços exorbitantes do ingressos cobrados do público e nos estacionamentos do Parque Assis Brasil. A feira se elitizou de vez, do jeito que eles gostam, ficando as forças conservadoras do agronegócio de donos do campinho. O GRUPO, por sua vez, garantiu todos os espaços necessários em seus veículos de mídia para que seus vassalos-comunicadores atacassem com unhas,dentes e gogós a não homologação das atualizações dos índices de produtividade da terra.
Há ! não faltou disparos dos laseres de um comunicador contra o MST e o seu apoio irrestrito a tudo do que é mais atrasado e conservador nesse país. Sobre a morte do agricultor Elton, não se falou mais nada. E aqui vai minha surpresa: O Ministério do Desenvolvimento Agrário - MDA, um dos mais atacados pelo GRUPO nessa semana devido ao anúncio do novo indicador de produtividade da terra, foi um dos patrocinadores mais ativos dos programas que atacaram o governo Lula. Que o império contra-ataque é normal, mas não precisa ser a gente a pagar as contas desses comunicadores que sempre demonizaram o PT, Lula e os movimentos sociais .

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O Blog da Dilma participa, juntamente com outros 120 blogs, do primeiro Prêmio BlogBooks que transformará os melhores blogs do Brasil em livro. A seleção está dividida em 12 categorias (humor, quadrinhos, entretenimento, artes e cultura, comunicação e negócios, universo feminino, universo masculino, sexo, gastronomia, religião, política e tecnologia). O projeto é da Singular Digital, em parceria com a HP, Grupo Ediouro e o Best Blogs Brazil. Os editores do blog da Dilma, Daniel Pearl e Jussara Seixas informam que o BLOG DA DILMA concorre ao melhor blog na categoria POLÍTICA no Concurso da BIENAL DO LIVRO 2009. A votação termina em 18 de setembro e eu já votei na semana passada na minha vizinha de bairro (ahahahahha)
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4 de set. de 2009

15º Grito dos Excluídos

Foi realizado hoje (04) em Porto Alegre o 15º Grito dos Excluídos. Essa edição teve como tema principal "vida em primeiro lugar. A força da transformação está na organização popular". Os trabalhadores também pediram o impeachment da governadora Yeda Crusius e a punição dos culpados pelos desvios dos recursos públicos do Estado. Após manifestação em frente ao Palácio Piratini, o protesto seguiu até frente ao Ministério Público Estadual e o Palácio da Justiça. Diante do MP e do TJ condenaram a omissão desses órgãos no que diz respeito a falta de agilidade em apurar as denúncias que pesam sobre a gestão tucana e por silenciar diante da violência do governo Yeda contra os movimentos sociais.

Brisa, sombra e água fresca na Corsan

Seria bom (digno) se a CPI da Corrupção convocasse os membros do Tribunal de Contas do Estado para falar um pouco dos contratos sem licitação da Corsan firmados ao longo de quatro anos. Segundo auditoria foram pagos R$ 4 milhões sem a formalização de licitação (10% da roubalheira do Detran). Uma tal empresa de informática chamada de Brisa patrocinou várias irregularidades nos seus contratos de consultoria de informática com o órgão. A consultoria além de não prestar os serviço, repassou o mesmo, dando evidências de que o contrato ou foi mal feito ou superfaturado. Meu feeling diz que ali se descobriria coisas tão graves quanto no Detran. Lembram do cara que entrou na sede da Companhia, armado, cobrando o presidente ?O que houve depois ? Pelo visto na Corsan é brisa, sombra e agua fresca (ahahahha)

3 de set. de 2009

Ajoelha e chora

Por motivo de viagem não consegui atualizar o blog ontem, mas agora relato o que pude sentir pelas ondas do rádio, em nossas belas estradas esburacadas do Rio Grande. Comprovei que já armaram o "novo novo novo novo novo novo recomeço" do governo Yeda, via mídia guapa. Estamos lidando com gente muito capacitada, poderosa, com estrutura, teses e dezenas de vassalos que servem aos senhores da comunicação. Emissoras de rádios, concedidas à pessoas ligadas aos partidos envolvidos na corrupção guapa estão em silêncio total. Nada de CPI, nada de corrupção, só o recomeço da coitadinha que choraaaaaa.
Aliás, descobri que um dos barões da grande mídia do GRUPO, criador de gado Angus no Alegrete (ahahahhaa), e que foi bombado na Expointer, hoje (03), pelo laser de um apresentador (aahaha cofcof), é pré-candidato a deputado Federal. Segundo um jornal do interior que tenho em mãos, ele ainda está escolhendo o partido, mas pode ser pelo PDT.
Mas sobre o recomeço número 10 de Yeda , aposto a queima de vários ônibus e carros numa favela em São Paulo, que daqui 40 dias o candidato Serra do PSDB estará aportanto no nosso Rio Grande amado. Ainda não sei qual será a pauta, mas que já está armada, pode apostar que sim. Será que mostrarão a revolução do PSDB em São Paulo ? Ahhh! já ia me esquecendo: a Folha de São Paulo está distribuindo gratuitamente seus jornais em locais estratégicos e para lideranças políticas, Por que será ? (ahahahaha)

2 de set. de 2009

Lembranças: Three Stooges guapos

A imagem abaixo me lembra dos filmes dos Três Patetas na década de 1970. O problema é que os senhores abaixo serão os responsáveis pela "defesa da honra" do governo Yeda na CPI da Corrupção. Segundo o deputado Coffy Rofrigues (esquerda) uma banca de advogados será contratada e paga pelo PSDB para dar apoio juridico aos deputados da base do governo na CPI. Ah ! e terão maioria na Comissão


A segunda vez e gente nunca esquece

"Vamos fazer um arrastão nessa cidade, foge", foi com essas palavras que um dos 20 assaltantes avisou ontem (02) pela manhã um morador da cidade de Boqueirão do Leão segundos antes de limparem simultâneamente o Banco do Brasil, o Sicredi e o Banrisul. O pior de tudo é que essa foi o segunda onda de assaltos na cidade em menos de 30 dias, o primeiro vitimou o vereador Jandir Bianchini (PMDB), 50 anos, morreu baleado por um PM ao ser confundido com um dos assaltantes. Segundo relatos, era ladrão para todos os lados. Quando falo que esse governo não possui política de segurança pública é porque o modelo copiado do governo anterior é baseado na divisão, na politicagem e na falta de inteligência. Hoje as facções criminosas predominam, trabalham com verdadeiros pelotões de ladrões, com rapidez e inteligência, coisa que falta na segurança pública. Imaginem o trauma desses cidadãos ? Em matéria de assaltos coletivos, a segunda vez a gente nunca esquece.

1 de set. de 2009

Xô corrupção !

Notaram que a CPI da Corrupção, a cada dia, sai do foco da grande mídia ? Eu não falo, tu não reproduz, nós não criticamos etc e se foi. Aliás nota-se também que a mídia guapa paulatinamente dá ao deputado Coffy Rodrigues (PSDB), relator da CPI, a importância que ele não tem. A forma tem mais importância que o conteúdo, ou seja, se roubaram isso não é importante , mas sim o regimento interno , a forma, os saberes jurídicos e bla bla bla. Serão 120 dias de muito silêncio e muita hipocrisia. Se a "maioria" vai prevalecer pelo menos que haja muita pressão popular e olho nos deputados. Não tem acordo com essa gente, eles querem é salvar o palanque de Serra para 2010 e o resto que se dane. O que o MPF e a PF fizeram foi levantar a podridão da turma do governo do PSDB e do PMDB guapo, na CPI cabe revelar o que está guardado, e tem muita coisa..

31 de ago. de 2009

Quando começa a nova fase Yeda-Serra ?

Hoje a mídia guapa retomou a sua normalidade. Na sua cruzada vespertina Lasier Martins entrevista o comandante-geral da Brigada Militar e levanta a bola pra ele bater no MST sobre os supostos crimes do MST, denunciados pela Veja. Do assassino do sem-terra, Elton Brum da Silva, em São Gabriel, nada. Dali, Lasier salta para a pauta do ex-comandante da BM de Canoas, tenente... (ahahhaa) Bondan e acabou . Aliás muito interessante a matéria sobre a falsa farda da BM. Deixa a BM no foco mas tira do eixo do sem-terra assassinado (muito bem pensando, brilhante, quase uma formula matemática). Nossa governandora Yeda simplesmente esfumaçou, desapareceu nesses 15 dias , só vi ela com a vaca da Expointer. Nosso indomável Lasier fincou o pé no pré-sal e tentou de todas as formas FFF..... Lula e Dilma no atacado afirmando sutilmente que o projeto é uma farsa. Quem acredita que nossa mídia é isenta fica minha imprensão: Quando começa a nova fase da governadora e o aparecimento do Serra no RS ?

30 de ago. de 2009

Maria Rita: Não Deixe O Samba Morrer

Rio Grande dá exemplo na área de segurança

Rio Grande dá exemplo na área de segurança é o título da matéria do jornalista Humberto Trezzi em Zé H Dominical para bombar a participação do Rio Grande do Sul na 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública. Quem lê o título e os subtítulos da matéria até toma coragem de passear no Parque da Redenção depois que escurece, ou deixar tranquilamente seu carro estacionado nas ruas da Capital campeã em roubo e furto de veículos. Aliás os gaúchos até podem achar que estamos nivelados com a Suécia ou Finlândia na área da segurança pública.

Nessa semana (23) o comandante d0 15º BPM de Canoas, tenente-coronel Bondan foi "tirado" do posto devido a truculência e violência de seus subordinados contra trabalhadores tendo como a gota d'água o brutal espancamento de um motorista de ônibus que parou em frente a um posto de BM daquele município para pedir ajuda a uma senhora que estava passando mal. Recebeu um "diálogo da BM" num beco escuro, que até agora lhe rende pavor e medo do dito encontro.

Quem tem casa no litoral gaúcho sabe que a qualquer momento pode receber a notícia de que sua residência foi literalmente levada, tamanha a falta de segurança. Nossos presídios estão superlotados e sem às mínimas condições de atender o objetivo de recuperar o apenado. Hoje, na realidade, são verdadeiros barris de pólvora, fermentando roubos e assaltos, executados por soldados de facções, que de fora dos presídios obedecem ordens via celular. No litoral norte a Penitenciária Modulada de Osório está interditada devido a falta de espaço, de higiene e de condições de trabalho para os servidores da segurança. Semana Passada o Conselho estadual Saúde denunciou na Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia a total falta de estrutura de saúde no sistema prisional.

O que mais me irrita nisso tudo é a sutileza da mídia guapa em montar, pelo menos nos jornais, uma politica de segurança no Estado, mesmo que o Estado nem saiba o que isso signifique, e tente,sofisticadamente, limpar às mãos de muita gente grande perante ao leitor.

A matéria, lida atentamente, mostra que todas as ações alí expostas não não tem nada a ver com uma política de segurança pública do RS, mas sim, iniciativas isoladas de algumas lideranças políticas, bombeiros, profissionais da saúde, prefeitos, policiais e até mesmo de apenados.

Passados três anos de governo Yeda, lamentavelmente, a falta de uma política de segurança pública só faz aumentar a violência e o crime organizado. Quadrilhas se espalham pela terra guapa, assaltam vários bancos de forma simultânea, além do alarmante aumento do roubo de cargas e de depósitos de grandes redes atacadistas. Sobre o tráfico de drogas não precisa nem falar mais nada, pois está tudo liberado.

A quantidade exorbitante de carros furtados ou roubados mensalmente em Porto Alegre elevou o seguro de automóvel a tal ponto que já se paga valores semelhantes aos patamares estipulados pelas seguradoras em áreas de conflitos militares de baixa intensidade. Há ! vou deixar de fora os assaltos, que só entre taxistas, já vitimou cinco profissionais na Região Metropolitana e em Porto Alegre em 2009.

Então, aproveitem o sol de domingo e a tal sensação de segurança dada pela mídia guapa.

Lembrando Chomsky, por Marcos Rolim

Quando as pessoas dominam verdadeiramente um tema, se fazem compreender facilmente, porque falam com simplicidade. Simplicidade não é o mesmo que superficialidade. É possível dizer coisas importantes e profundas de forma clara, mesmo quando tratamos de assuntos bem complicados. Por outro lado, quando o falante começa a entrelaçar conceitos que remetem a outros conceitos; quando suas palavras formam círculos que impedem qualquer afirmação, o discurso vira um refúgio e, nesta metamorfose, o que se propõe não é mais um diálogo, mas uma encenação.Um dos críticos deste mau uso das palavras é Noam Chomsky, um dos grandes intelectuais de nosso tempo, a quem devemos descobertas que revolucionaram a linguística. Chomsky nunca entendeu o significado de expressões como, por exemplo, “dialética”.

Para ele, sempre que alguém lhe tentou explicar o sentido do conceito, ou dizia algo sem sentido, ou produzia uma verdade trivial. Brincando com suas próprias posições, Chomsky diz que talvez lhe falte um gene para entender palavras do tipo. No interessantíssimo Para Entender o Poder (Bertrand Brasil, 2005), o polêmico dissidente americano concluiu que, por trás de conceitos assim, há muita “falcatrua”. Chomsky tem sido, também, um dos mais importantes críticos do papel da imprensa, o que explica a razão pela qual não costuma ser muito “popular”. Uma de suas teses sustenta que a imprensa não vende jornais.


O verdadeiro produto que a imprensa vende é seu público e quem compra este produto, é claro, são os anunciantes. Talvez, dito assim, soe muito simples. Mas o que há de verdadeiro nesta simplicidade é seu incômodo.O jornalismo precisa ser simples, porque seu desafio é o de alcançar o maior número de pessoas, informando-as. O que não significa que precise ser superficial. Nas primeiras horas após a desocupação da fazenda Southall, tínhamos um sem-terra morto. Depois, com as informações de que a vítima não estava armada e que foi alvejada pelas costas, o que passamos a ter foi um assassinato. Ou, se a linguagem jurídica for preferível, um homicídio. O MST não “ganhou um mártir”, como se chegou a afirmar, porque a conclusão faz crer que o impróprio no disparo é seu efeito político, não o cadáver.


Os relatos colhidos sobre o que foi feito pela Brigada Militar apontam não para uma “operação desastrada”, mas para a prática da tortura contra dezenas de pessoas. Não há desastre ou “erro” na tortura, há vergonha e crime. Simples assim. E se uma representante do Ministério Público anuncia que a operação policial demonstrou “profissionalismo”, então há um espanto que precisa ser explicado, para que o próprio Ministério Público não se confunda com o “Ministério da Verdade” de George Orwell e sua “novilíngua”. Na distopia proposta pelo livro 1984, um dos conceitos criados pela “novilíngua” era “duplipensar”.


Com a expressão, o governo totalitário pretendia induzir os indivíduos a conviver simultaneamente com duas crenças opostas, aceitando ambas. Uma polícia que atua com profissionalismo não tortura, não humilha e não produz cadáveres. Não há “dialética” a ser invocada e não dizê-lo claramente é amparar a mão que puxou o gatilho. Simples assim. Ou, talvez, me falte um gene para compreender a covardia. marcos@rolim.com.br

28 de ago. de 2009

Qual é o nome do menino? By Carta Capital

Carlos Leonam e Ana Maria Badaró
Esdruxulices nas certidões de nascimento viraram folclore há muito tempo, entra geração, sai geração. Mesmo em tempos saturados de Suelens, Ostos e Maicons, nomes, digamos, exóticos não deixam de despertar curiosidade. Um jovem pediatra do interior paulista reuniu e divulgou na internet uma lista de antropônimos, mais conhecidos na roda de samba como nomes próprios ou de batismo, que nos últimos anos frequentaram seus prontuários e os de outros doutores. A relação preparada pelo médico começa por revelar a devoção de alguns pais por seus ídolos.
Quem paga o preço na pia batismal é a ingênua criança. Valdisnei, por exemplo, é uma deferência ao eterno Walt Disney; Usnavi é o nome do filho de um aficionado por navios americanos e Kallison Bruno homenageia o grupo KLB (Kiko, Leandro, Bruno). Consta na lista um “famoso” caso registrado no Recife: Xerox é o pai e Fotocópia e Autenticada as filhas, note-se, em idades decrescentes. Não é difícil identificar os ídolos incensados por quem registrou os seus miúdos como Maycom Gérquiçom, Maiquel Edy Marfy, Boniclaide, Erriporter. O que dizer da dupla de irmãos Kalifornia Drim e Roliúde dos Santos; de Letisgo, João Le Não, Istiveonder, Aga Esterna e Harlei David Son? Pedimos desculpas pelo nosso trocadilho cretino, mas, como comentou cirurgicamente o pediatra, o menino motocicleta é um perfeito born to be wild. Antigamente, pelo menos, os ídolos eram homenageados na batatolina: Shirley (Temple), Clark (Gable), Odilon (famoso ator teatral), Juscelino (JK), Brigitte (Bardot), Glauber (Rocha), etc., etc., etc.
Tivemos, também, naqueles tempos do século passado, muitos Benitos (Mussolini), Lenines e até um Adolfo Hitler (cujo sobrenome preferimos manter oculto). Carnavalescamente, um famoso paulistano registrou um filho como Rodouro Metálico (famoso lança-perfume), que mudou de nome quando cresceu. Os craques da Copa de 70 não serão esquecidos se depender dos pais que juntaram as primeiras sílabas dos nomes de Tostão, Pelé, Rivelino, Carlos Alberto, Gerson e Jairzinho para chamar o filho de Tospericagerja. Pra frente Brasil.
Já pensou se o menino virar um fenômeno da bola? Apelido já. Que tal Copinha? Voltando a outros tempos, também remotos, lembremos dos grandes craques que sempre inspiraram nomes de batismo famosos. Começando por Ademir da Guia, filho do imortal Domingos – que levou Armando Nogueira a criar um antológico título para uma entrevista com jogador palmeirense: “Ademir da Guia, nome, sobrenome e futebol de craque”. Foi o tempo dos Ademires, Leônidas, Jurandires, Baltazares, Evaristos e tantos outros ases da pelota. O médico adverte para nomes que não deixam as enfermeiras saírem gritando pelos corredores dos hospitais e postos de saúde, como Caralhecida e Urinoldo Alequissandro. Outras crianças requerem uma língua afiada para ser chamadas, como a trinca de petizes da família Silva: Bilidudilei, Jimibradilei e Darkson Stick Nick.
Um pai fanho batizou o filho de Darzã. Outro progenitor igualmente fanático por cinema deu à sua menina o doce nome de Romixinaide, enquanto o menino “voou mais alto” e se chama Railander. Há nomes mais simples – ou não? – como Eneaotil. Mas tem os quebra-língua consonantais como Kwysswyla (simples, pronuncia-se Quíssila), Pier (de Pierre), Shaite, um tributo ao nosso bravo velejador Robert Scheidt, Geoáite, homenagem à escritora Ellen G. White e Maiquetaiçon.
Sem comentário. O telejornalismo também inspira os pais. Antes de nos despedirmos, desejando ao leitor uma boa noite, ou bom dia, finalizamos a lista com um guri que atende por Uilam Bone. Agora é com você, Fátima. E chegou a vez dos hindus. Agora que Caminho das Índias está na reta final, preparemo-nos para ver nos berçários pequerruchos Rajis, Mayas, Surias, Bahuans, Indiras e Opashis. Cada novela de sucesso corresponde uma enxurrada de crianças com nomes de heróis e heroínas das tramas. Uma lista de nomes próprios por faixa etária, também dos filmes, é a melhor constatação da boa audiência da época. Não é, Brussiulis? • A quem interessar possa. O segundo nome do titular desta página é um anagrama de Manoel, como também Elmano. Sem esquecer o querido compadre Ziraldo, filho de dona Zizinha e seu Geraldo.