20 de set de 2011

Vinte anos nas capas da 'Veja'

Vinte anos nas capas da 'Veja'

Selecionamos 123 capas da revista, de 1993 a 2010. Elas formam uma narrativa surpreendente, quase uma história em quadrinhos da história política do período. FHC é o presidente dos sonhos da publicação. Sério, compenetrado e trabalhador, fez uma gestão exemplar e não está para brincadeiras. O ex-metalúrgico, por sua vez, brinca a bola e é um demagogo que merece apenas um chute no traseiro.

 

  Gilberto Maringoni - www.cartamaior.com.br

O presidente Lula sofreu impeachment em agosto de 2005. Quase ninguém se lembra dele. Era um trapalhão barrigudo, chefe de quadrilha e ignorante.

A história seria assim, se o mundo virtual da revista Veja fosse real. Selecionamos 123 capas da revista, de 1993 a 2010. Elas formam uma narrativa surpreendente, quase uma história em quadrinhos da história política do período. FHC é o presidente dos sonhos da publicação. Sério, compenetrado e trabalhador, fez uma gestão exemplar. O ex-metalúrgico, por sua vez, é um demagogo que merece apenas um chute no traseiro.

A visão de Veja é a visão da extrema direita brasileira. Tem uma tiragem de um milhão de exemplares e é lida por muita gente. Entre seus apreciadores está, surpreendentemente, o governo brasileiro. Este não se cansa de pagar caríssimas páginas de publicidade para uma publicação que o achincalha com um preconceito de classe raras vezes visto na imprensa.

Freud deve explicar. Clique no link abaixo para ver a sequência. Vale a pena.

19 de set de 2011

América Latina, mundo de droga

 Estudo da Comissão Mundial para Políticas Antidrogas mostra que "guerra às drogas" iniciada há quatro décadas pelo então presidente dos EUA, Richard Nixon, é um fracasso rotundo, contundente e irremediável. Bilhões de dólares e milhares de vidas mais tarde, a produção, o comércio e o uso das drogas ilegais continua crescendo a todo vapor. O maior mercado consumidor é os Estados Unidos, que consome anualmente cerca de 165 toneladas de cocaína. A América Latina entra com a produção e os mortos. O artigo é de Eric Nepomuceno.

 

Um estudo recente realizado pela Comissão Mundial para Políticas Antidrogas, que conta com o aval da ONU, chegou a uma conclusão óbvia, mas nem por isso menos eloqüente: o que o mundo anda fazendo para combater o uso de drogas ilegais, a tal "guerra às drogas" iniciada há quatro décadas pelo presidente norte-americano Richard Nixon, é um fracasso rotundo, contundente e irremediável. E a razão de terem chegado a essa conclusão é simples: bilhões de dólares e milhares de vidas mais tarde, a produção, o comércio e o uso das drogas ilegais continua crescendo a todo vapor. Aliás, cresce tanto que hoje em dia cocaína e heroína custam muito menos do que custavam há vinte anos.

Calcula-se que existam no mundo 270 milhões de usuários de drogas. Um Brasil e meio. Uma população 27 vezes maior que a de Portugal, quatro vezes e meia maior que a da França, seis vezes maior que a colombiana. Enfim, um número de pessoas que, reunidas, formaria o quarto país mais populoso do mundo.

O maior mercado consumidor é os Estados Unidos, que consome anualmente, segundo os cálculos mais fiáveis, cerca de 165 toneladas de cocaína. Em segundo lugar, mas avançando rapidamente, vem a Europa, que consome cerca de 124 toneladas anuais. Esses dois mercados são abastecidos basicamente pela produção latino-americana de cocaína, mais especificamente da região andina, ou seja, Bolívia, Peru, Colômbia e, em medida quase insignificante, Equador. A maior parte do que chega aos Estados Unidos passa pelo México, onde, aliás, se consome 17 toneladas anuais, deixando o Canadá, com suas 14 toneladas, para trás.

Para a Europa, outras rotas são mais utilizadas, levando a cocaína latino-americana via África do Sul e, em muito menor medida, através do Brasil.
Para a América Latina, esse mundo de droga produzida e negociada tornou-se um problema que em alguns países ameaça escapar de controle. Sabe-se bem da convulsão enfrentada pelo México, fala-se de como a Colômbia pouco a pouco procura voltar aos eixos, mas pouco ou nada se fala do que acontece nos países da América Central. Lá, pelo menos três países – El Salvador, Honduras e Guatemala – que mal se recompõem do flagelo de prolongadas guerras civis correm o gravíssimo risco de se tornarem vítimas terminais do crime organizado pelo narcotráfico.

Se economias aparentemente prósperas, se países que vivem tempos de bonança, enfrentam a ameaça de poderes paralelos formados pelos grandes cartéis de drogas, o que dizer de países pequenos, que mal cicatrizam as chagas de um passado recente? Vale recordar um estudo do Banco Mundial, indicando que, na América Central, o custo do crime e da violência corresponde a 8% do PIB da região.

Muito se menciona a Colômbia como exemplo bem sucedido da luta contra o tráfico de drogas. Um exame mais sereno e meticuloso mostra que a realidade não é bem essa. Diminuiu, e muito, a violência, é verdade. Mata-se e morre-se hoje menos do que há dez ou quinze anos. O volume de drogas exportadas, porém, permaneceu praticamente inalterado. Uma série de fatores que são impossíveis de se reproduzir em outros países funcionou na Colômbia, que, além de drogas, exportou o caos – basta ver o que acontecia há dez ou quinze anos no México e na América Central, e o que acontece agora. Ou seja, cura-se aqui enquanto feridas são abertas ali e acolá.

Resta ver, além do mais, que medidas os Estados Unidos pretendem tomar para impedir o fluxo de armas para os países exportadores de drogas. De cada dez armas aprendidas no México, sete saíram dos Estados Unidos. O governo colombiano detectou e apreendeu vários carregamentos de armas de pequeno calibre – revólveres, pistolas – despachados dos Estados Unidos pelo correio.

A questão é vasta e profunda, mas até agora não conseguiu levar a trilha alguma que seja capaz de encaminhar, se não para uma solução, ao menos para um paliativo eficaz. E nesse mercado em franca expansão, nessa festança macabra, enquanto norte-americanos e europeus continuam pondo os usuários, os latino-americanos continuam pondo as drogas e os mortos. Na Colômbia, perdeu-se a conta. No México, pelo menos 42 mil nos últimos cinco anos, e caminha-se rápido para a marca dos 50 mil.

Na América Latina, os produtores e exportadores de drogas são empresários bem sucedidos, sem dúvida. Lucram cada vez mais, e mostram que sabem defender seus interesses, não importa ao custo de quantas vidas.


Pena que esses latino-americanos, empreendedores bem sucedidos, tenham preferido manter seus negócios em nossas comarcas. Bem que poderiam seguir o exemplo dos plantadores de maconha na Califórnia. Lá, os empreendedores locais conseguiram um feito notável: hoje em dia, a maconha é o mais bem sucedido cultivo em todo o estado. Rende cerca de 14 bilhões de dólares por ano. Plantam, processam, comercializam – e nenhum latino-americano morre por causa deles.

6 de set de 2011

Mudanças Climáticas: Conferência aponta caminhos



Secretário Carlos Nobre foi o conferencista dos <i>Grandes Debates</i> desta segunda-feira
Secretário Carlos Nobre foi o conferencista dos Grandes Debates desta segunda-feira
Após a apresentação do secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia, Carlos Nobre, na Conferência sobre Mudanças Climáticas e Fenômenos (Des)Naturais, a tribuna do Plenário 20 de Setembro foi aberta para manifestações dos participantes. 


Assunto emblemático

O professor do Departamento de Paleontologia e Estratigrafia do Instituto de Geociências da UFRGS, geólogo Rualdo Menegat, fez considerações sobre o que chamou de “assunto emblemático do século 21”. Segundo ele, se no século XX as questões mais latentes estavam voltadas às guerras, hoje os esforços se voltam contra as mudanças (des) naturais. “Estamos dentro de um outro parâmetro na história civilizatória humana. Temos que enfrentar algo que nunca cogitamos no passado”. O professor afirmou também que as ocorrências climáticas são consequências de ações humanas, como é o caso da concentração populacional em cidades voltadas ao consumo desenfreado.

Sem consenso 

O presidente da Fepam, Carlos Fernando Niedersberg , afirmou que há no mundo certo consenso de que as mudanças climáticas são causadas, em grande medida, por ações humanas. Entretanto, segundo ele, está longe de haver um consenso sobre o que fazer para enfrentar o problema. Para Niedersberg, a solução passa por atacar os principais causadores dos desastres: o desmatamento de florestas e o uso de matrizes energéticas poluentes. Nesse sentido, o Rio Grande do Sul poderia dar sua contribuição ao se voltar para a utilização de uma matriz energética limpa. Contudo, o presidente da Fepam alerta para o fato de que a lógica econômica poderá conduzir o estado para o uso do pré-sal e das reservas de carvão. Caberá ao poder público, segundo Niedersberg, alterar essa decisão, o que será um desafio.

Tendência de agravamento 

Representando a coordenadoria da Defesa Civil, o major Alexandre Teixeira Santos anunciou que hoje há no estado 299 situações de emergência decretadas. “É notório que a situação é grave e a tendência é de agravamento”.  Segundo ele, o trabalho da Defesa Civil estadual está focado em oferecer qualificação aos gestores públicos municipais. Ele informou que boa parte das defesas civis dos municípios não estão estruturadas. “Temos muita defesa civil que é de papel. Ela existe por lei, mas na prática não existe. E quando existe, é deficitária”, disse. De acordo com Santos, no Brasil apenas 10% dos municípios apresentam defesas civis com estrutura adequada.
Em nome da Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Casa, o deputado Jurandir Maciel saudou a Assembleia Legislativa pela realização do evento. Na opinião do parlamentar, a discussão ocorrida hoje tem a função de construir propostas que façam avançar o processo. Maciel colocou o órgão técnico à disposição dos presentes para futuros encaminhamentos havidos durante o debate.


Sociedade organizada 

Pela Assembleia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente (Apedema/RS), manifestou-se Fernando Campos Costa. Ele destacou a importância da participação forte de uma sociedade civil organizada para a evolução do tema. Disse que ainda hoje os movimentos ecologistas são vistos como aqueles que trancam o desenvolvimento. Defendeu que os fenômenos provocados pelas mudanças climáticas vistos no mundo não são (des) naturais, mas sim naturais, na medida em que o homem e suas ações  integram a natureza. Criticou o fato de que a Conferência Rio + 20, a ser realizada em 2012, terá como tema principal a economia verde e não a condição das vítimas ou dos afetados pelas alterações climáticas. Para ele, esta é a confirmação de que há a mercantilização até mesmo dos eventos sobre meio ambiente.


Novo Código Florestal 

Representante da Associação Gaúcha de Proteção ao Meio Ambiente (Agapan), Francisco Milanez defendeu que o Brasil deve se unir em prol da implementação do novo Código Florestal, que é, para ele, um dos principais instrumentos contra os desastres naturais no país.  Segundo Milanez, grande parte dos problemas ambientais estão ocorrendo devido ao assoreamento dos rios, que tem como causa principal a destruição das matas ciliares, reservas estas que o novo Código Florestal deseja ampliar. Ele afirmou que são contra o novo Código ‘agricultores de última categoria”, verdadeiros “exploradores rurais” que desejam aumentar um pouco suas áreas para produzir transgênicos. Ao final, pediu que a Assembleia Legislativa se una ao debate e à luta de forma efetiva. 
 
Bioma Pampa 

Pela Força Sindical/Força Verde, manifestou-se o engenheiro Lélio Falcão. Ele comemorou o fato de que a próxima edição do Fórum Social Mundial terá como tema principal o meio ambiente. Destacou que a entidade da qual faz parte tem, nos últimos anos, feito debates sobre a desertificação e sobre o Bioma Pampa, bioma este responsável pela integração latino-americana. Por fim, também fez uso da palavra o representante da Federação Rio-Grandense das Associações Comunitárias e de Bairro (FRACAB), Ivo Fortes dos Santos.

Últimas considerações 

Após a manifestação de entidades, o secretário retomou a palavra. Ele reiterou a necessidade de sistematização das informações meteorológicas para se avançar nos alertas de desastres ambientais e disse que a vida das pessoas não pode depender da iniciativa ou falta de iniciativa de prefeitos. Sobre o papel do Brasil no aquecimento global, disse que o país é "jogador pequeno" em relação a outros países, que sozinho não deverá alterar o quadro das emissões globais, mas que pode servir de exemplo. Também falou sobre o Código Florestal, que, na sua avaliação, deveria conter uma lei que regulasse a expansão das áreas urbanas.

Fonte: Vanessa Canciam - MTB 2060 | Agência de Notícias   13:37 - 05/09/2011
Edição: Sheyla Scardoelli - MTB 6727     Foto: Eduardo Quadros / Ag. ALRS