25 de ago de 2010

o anarfa , MESTREEEEEEEEEEEEEEEEEE

Capitulação ideológica no jornalismo guapo ?

Compartilho o artigo que recebi do Jornalista Pedro Pomar, que faz uma dura critica ao Sindicato dos Jornalistas do RS, por aceitar anúncios dos grupos RBS e Record no jornal da entidade.

Sindicato dos Jornalistas do RS publica anúncios dos grupos RBS e Record no jornal da entidade


Na sua edição de agosto de 2010, dedicada ao 34º Congresso Nacional dos Jornalistas, realizado em Porto Alegre, o jornal Versão dos Jornalistas, do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul, traz um anúncio de página inteira do Grupo RBS (página 3) e outro de página inteira do Grupo Record (página 6). Publicidade institucional, na qual o Grupo RBS diz ser “do tamanho dos seus profissionais”, ao passo que o Grupo Record anuncia seu “compromisso com os gaúchos”.

O Grupo RBS, ou Rede Brasil Sul, é hoje um dos principais protagonistas do oligopólio midiático que controla 90% da comunicação social praticada em nosso país. Trata-se de um caso clássico de propriedade cruzada de emissoras de televisão, rádio, jornais, portal e vários outros meios e empreendimentos. A façanha mais recente do Grupo RBS, sediado em Porto Alegre (onde estão a RBS TV e o jornal Zero Hora, seus principais veículos), foi haver adquirido os principais jornais diários de Santa Catarina, o que levou o Ministério Público Federal a processá-lo por monopólio da imprensa.

O Grupo Record é outro importante condômino do oligopólio midiático, sediado em São Paulo, base da TV Record. O anúncio no jornal exibe suas conquistas em território gaúcho: o jornal
Correio do Povo e a Rádio Guaíba. Seu proprietário de fato, o poderoso bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, tem sido citado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) como beneficiário da maligna decisão do Supremo Tribunal Federal de derrubar o diploma de jornalista como exigência para o exercício da profissão. É que Macedo obteve recentemente, no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, sentença que obriga o Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro a emitir, para ele, a carteira de jornalista profissional, algo que ele de fato não é.

Portanto, a direção do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul conseguiu uma dupla “proeza”, que nem mesmo os pelegos clássicos sonhariam obter. Em primeiro lugar, permitiu aos patrões financiar a atividade sindical dos trabalhadores jornalistas, particularmente a sua imprensa, por meio de publicidade. Em segundo lugar, ela abriu as páginas do jornal da entidade não para uma empresa qualquer, o que já seria péssimo, mas para dois dos conglomerados que controlam as mídias no Brasil. E que, obviamente, exibem um enorme contencioso com o movimento sindical dos jornalistas e com os movimentos sociais.

Assim, em troca de alguma quantia em dinheiro (não importa o valor), a direção do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul vendeu a sua independência de classe perante o patronato. A direção da Fenaj, que tem vários de seus componentes entre os diretores do Sindicato gaúcho, não se manifestou, o que indica concordância com essa capitulação política e ideológica. Como agravante, o fato já citado de que a edição de agosto trouxe o noticiário do 34º Congresso Nacional dos Jornalistas e um encarte com as teses inscritas.

Num momento acalorado dos debates congressuais, agitei o anúncio da RBS diante do presidente do Sindicato, para que se explicasse. Sua defesa: “Mas eles pagaram! É pago”. Tal informação sugere que o pagamento dessa publicidade redimiria a direção sindical. Mas, infelizmente, isso só piora as coisas. Mesmo porque a simples leitura do texto indica que se trata de um anúncio de ocasião, elaborado expressamente com a finalidade de ser publicado no jornal Versão dos Jornalistas.

Sindicatos não podem receber dinheiro dos patrões. A publicação, em mídias sindicais em geral, de anúncios de qualquer tipo de empresa, mesmo que de setores econômicos diferentes, já é uma prática suficientemente grave, pois suscita conflito de interesses e introduz uma lógica comercial estranha à atividade sindical. Porém, a publicação, em jornal de sindicato de jornalistas, de anúncios institucionais de conglomerados de mídia que empregam esses profissionais é simplesmente inacreditável e sintoma do pior pragmatismo.

Ao publicar a peça publicitária do Grupo RBS, por exemplo, o Sindicato, queira ou não, está endossando o seu conteúdo, afirmações como “só se tornou um dos maiores grupos de comunicação do país porque sempre investiu nos seus jornalistas”, “incentivando a prática dos valores essenciais para o desempenho da profissão”... Com a palavra, os jornalistas gaúchos, bem como os movimentos sociais.


Pedro Pomar
Jornalista, delegado ao 34º Congresso



O Brasil e suas terras férteis

O PIG está enfurecido com o presidente Lula que até que enfim aprovou a limitação de venda de terras brasileiras a estrangeiros ou empresas brasileiras controladas por estrangeiros. O documento, segundo a Advocacia-Geral da União (AGU), levou em consideração alterações no contexto social e econômico no Brasil, assim como aspectos como a valorização das mercadorias agrícolas, a crise mundial de alimentos e o desenvolvimento do biocombustível.

Com a nova interpretação, as compras de terras serão registradas em livros especiais nos cartórios de imóveis. Todos os registros feitos por empresas brasileiras controladas por estrangeiros devem ser comunicados trimestralmente à Corregedoria de Justiça dos Estados e ao Ministério do Desenvolvimento Agrário.

As empresas estrangeiras não poderão adquirir imóvel rural que tenha mais de 50 módulos de exploração indefinida. Só poderão ser adquiridos imóveis rurais destinados à implantação de projetos agrícolas, pecuários e industriais que estejam vinculados aos seus objetivos de negócio previstos em estatuto. Esses projetos devem ser aprovados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário.A soma das áreas rurais pertencentes a empresas estrangeiras ou controladas por estrangeiros não poderá ultrapassar 25% da superfície do município.

O PIG guasca chega afirmar a bobagem de que "as novas barreiras impostas pela União para a compra de terras por estrangeiros podem se transformar em mais um entrave para o desenvolvimento da indústria da celulose no Estado."


Não é de hoje que o Brasil é alvo de compra de terras por estrangeiros e suas empresas. Com muito sol, terras férteis e água em abundância, viram aqui uma maneira de colocar nosso solo a serviço de interesses das grandes multinacionais. Eles até inventaram as tais "commodities" para controlar a compra e a venda de alimentos e matéria-prima no mundo a preços irrisórios, que depois de processadas e industrializadas são revendidas a preço de ouro.

Em 2008, com a crise do capital, e a quebradeira de especuladores e de multinacionais, muitos daqueles que ganharam dinheiro com a crise (sim, teve muita gente que ganhou dinheiro) se precaveram e resolveram investir em coisas reais, numa espécie de poupança de ativos. Empresas estrangeiras, além de já possuirem milhões de hectares de terra no Brasil, agora compraram mais de 50 % das empresas do setor alcooleiro e investem pesado na compra de ações e controle de empresas no setor de energia em nosso país.

Esses "players" globais não estão nem ai para os povos famintos dos continente africano e americano, e tem o apoio escancarado dos seus governos (europeus e norte-americano) , que necessitam de muita energia, matéria-prima, água e alimentos baratos para sustentar a industria, o desenvolvimento econômico e o alto bem-estar social dos cidadãos do chamado primeiro mundo.

Lula fez o que pôde, e usou seus 80 % de aprovação popular para dar uma pequena enquadrada nessa turma que há séculos fazem do Brasil o seu quintal. O engraçado é que alguns oficiais do "nosso" exército brasileiro e um "afamado" site especializado em "defesa nacional" aqui do Brasil condenam a criação de reservas para índios e os movimentos sociais mas ficam pianinhos quando grupos estrangeiros se refestelam comprando um volume de terras muitas vezes maior que o tamanho de seus próprios países de origem.