15 de nov de 2009

A descoberta, Por Kayser


É triste a realidade de nossa querida Capital: uma espécie de abandono associado ao desleixo. Buracos, crateras, ruas mal cuidadas, semáforos queimados, pistas com sinalização confusa ou faltando, são pequenos exemplos que dia-a-dia se acumulam em Porto Alegre. Na condição de morador da Zonal Sul fico sempre em alerta porque de antemão já sei que qualquer chuva é motivo de alagamento devido a falta de limpeza do bueiros.
Outra dificuldade que tenho de entender é porque a prefeitura abre tantos buracos nas ruas e calçadas e os abandona ao sabor do tempo. Quando a prefa é forçada a fechá-los (ahahahahah) , o fazem de maneira que o trabalho realizado mais parece uma profunda cicatriz do que um reparo.
Nossas tampas de bueiro poderiam fazer parte de alguma obra de arte ao ar livre, pois cada uma é diferente da outra em profundidade, e fazem a alegria dos mecânicos da Capital. Sobre nossas calçadas deveríamos exigir que o atual secretário de obras (quem nem sei quem é ) viesse ao trabalho de ônibus e tivesse apenas por um dia a privação da visão para que pudesse sentir a dificuldade de acessibilidade devido a quantidade de buracos e de obstáculos nos passeios públicos.
Quem chega ao centro pelo acesso da avenida Mauá tem a sensação de que adentra num bairro abandonado. A pista de rolamento da Mauá mais parece um campo minado já detonado, tendo motoristas de ônibus Kamikaze te apertando contra o muro, além é claro, da clássica falta de zelo com a limpeza e a poluição visual da inútil sinalização guapa. Como diz um amigo: A SINALIZAÇÃO DE PORTO ALEGRE APENAS ME AVISA QUE JÁ PASSEI OU QUE JÁ ERREI O CAMINHO.
Outra situação que me deixa intrigado é a qualidade da informação prestada pelo cidadão da Capital ao visitante. Experimente pedir uma orientação de um caminho que você já conheça de antemão para três pessoas diferentes: verá que no mínimo uma delas te mandará pelo lado oposto (ahahahahha). Se realmente desejam ajudar e não sabem dar a informação, por favor digam NÃO SEI.
Antigamente tinha orgulho de Porto Alegre e de seus indicadores de qualidade de vida e de seus serviços públicos, isso acabou. Hoje, ao ler que mais uma criança foi vítima de atropelamento da Vila Chocolatão, tenho certeza, já avançamos a passos largos para voltar a mesma cidade decadente da década de 1980.

A vaga do TCE

Pouca gente recorda, mas um deputado Partido Progressista (PP) guasca esteve envolvido em outro escândalo, só que desta vez com recursos que os parlamentares destinavam para entidades e ou estudantes, as famosas bolsas-auxílio. Essa mutreta criada na época da ditadura foi extinta, mas até um tempo atrás cada parlamentar na Assembleia tinha o direito de indicar essas entidades e ou estudantes para receber uma fatia desse auxílio.O valor total da verba à época era de R$ 25 mil reais e alguns deputados destinavam parte ou a integralidade do valor para entidades filantrópicas ligadas a parentes. Recordo esse episódio porque esse parlamentar do PP esteve envolvido nesse esquema, e hoje é candidatíssimo ao cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, na vaga aberta por João Luiz Vargas.
Ou parte dos políticos do Rio Grande perderam sua referência ética, ou na realidade nunca a tiveram, e fomos obrigados a engolir durante décadas os Barões da mídia, que bradavam e publicavam que o RS era a terra mais politizada e ética do Brasil.