1 de dez de 2008

Garrincha e a zagueira do agronegócio


Em entrevista concedida à rádio gaúcha (01), no programa gaúcha atualidade, o Ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel foi sabatinado pela jornalista Ana Amélia Lemos. Questionou se a mudança dos índices de produtividade também irão valer para os assentamentos, dando a entender que parte desses não passaria no teste da produtividade.
Cassel, de forma elegante, desqualificou a pergunta, reafirmando que os novos índices de produtividade só valerão para grandes extensões de terra e que essas terras devem produzir mais para alimentar a população, pois os valores atuais são da de´cada de 70.

Sobre os assentamentos, o ministro fez como Garrincha ao driblar seus adversários, deixou a zagueira do agronegócio a ver navios, apontando estudos de universidades que indicam alto grau de produção dos assentamentos da reforma agrária.

Entenda:

Os índices atuais que servem como padrão para o processo de desapropriação de terras para reforma agrária são da década de 70. Segundo o MDA, os índices atuais são considerados defasados diante do alto rendimento alcançado pelas propriedades rurais e dificilmente o governo consegue enquadrar uma área como improdutiva.

Há três anos, foi feito um primeiro estudo, mas a pressão da bancada ruralista prevaleceu e o assunto foi engavetado. Com o segundo estudo, a polêmica está de volta.

Conforme cálculo do governo, entrando em vigor a medida, poderá render cerca de 33 mil hectares em desapropriações no Estado – equivalente a mil vezes a área do Parque da Redenção, em Porto Alegre. No segundo estudo, não houve autorização para se fazer tal projeção, para evitar pressões. Se aprovado, as áreas rurais de todo o país foram divididas de forma que a produtividade varie de acordo com cada região e o tipo de produção e ainda será levado em consideração se a região enfrentou algum problema climático, como o caso de Santa Catarina

Além de ser apresentado ao Conselho Nacional de Política Agrícola, a mudança dos índices precisa ser oficializada por meio de uma portaria assinada por Cassel e pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. Se aprovadas, as mudanças passariam a valer a partir da safra 2009/2010.

Como ficará a mudança

Na agricultura
O indicador usado é o rendimento de
grãos por hectare.

Soja em Cruz Alta
> Como é hoje: 1,4 mil quilos/hectare
> Como ficaria: 1,959 mil quilos/hectare
> Como foi: nos últimos cinco anos, a
produtividade média ficou em 2,2 mil quilos
por hectare

Arroz em Cachoeira do Sul
> Como é hoje: 3,4 mil quilos/hectare
> Como ficaria: 5,392 mil quilos por
hectare
> Como foi: nos últimos 10 anos, a produtividade
média ficou em 5,7 mil quilos
por hectare

Na pecuária

O indicador usado é o número de animais
por hectare, chamado de Grau de Eficiência na
Exploração (GEE). Uma unidade animal equivale
a um touro adulto.

Em Bagé

> Como é: 0,8 unidade animal/hectare
> Como ficaria: 0,95 unidade animal/hectare
Em Pelotas

> Como é: 0,8 unidade animal/hectare
> Como ficaria: 1,15 unidade animal por
hectare

fonte dados: zh 01/12/ - pg 19

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