21 de set de 2009

Passaporte para matar: a banca paga e recebe


Trinta dias após o assassinato do agricultor sem-terra Elton Brun da Silva, ainda não se conhece o militar autor do disparo pelas costas, com uma arma calibre 12. A única coisa que a sociedade sabe é que foi um integrante da BM na tal operação "desastrada" da BM, segundo a mídia guapa. Imaginem quantas horas levaria para que o nome do assassino aparecesse caso um barão da mídia tivesse sido alvejado pelas costas numa abordagem da BM ? A cupula da BM toda já teria caído e centenas de páginas de jornais seriam escritas e é claro muitas avenidas seriam dadas com seu nome. Como Elton era um sem-terra, hoje Zé H nos brinda com uma das matérias favoritas contra o MST: as tais cartilhas do movimento. Nunca vi tanta besteira escrita numa mesma página, mas como o objetivo é confundir a opinião pública e embaçar o marco de 30 dias do assassino sem rosto e sem nome, a matéria caí como uma luva para confundir a opinião pública.

Setores da classe média acostumados a digerir com rapidez o fast-food midiático sobre o MST não terão dificuldades em esquecer o que ocorreu com Elton, pois a banalização da morte é uma das grandes chagas deixadas pela violência no país e muita gente defende pena de morte num país que mata mais gente por assassinato do que países em guerra. No entanto essa mesma polícia que pisoteia crianças com cavalos, usa sabres contra mulheres, pistolas de choque em homens ajoelhados é a mesma polícia que atira e mata o filho de um trabalhador ou de algum figurão quando esses saem às ruas para estudar ou se divertir. A banca paga e recebe e depois não adianta reclamar, pois esse passaporte para matar será dado a cada policial a partir de agora. Quem vive nas periferias das grandes cidades sabe bem do que estou falando.

3 comentários:

  1. (jborges)
    Lembram do relógio-(de plástico)-dos-500-anos (com propaganda da RBS), rasgado por manifestantes em Porto Alegre? Não sossegaram até localizar integrantes da BM (de folga) omissos na "destruição" daquele "monumento". E o gritedo continuou até o afastamento do policial que não impediu aquela "iconoclastia". Claro, a gente tem que entender que um monumento público (ainda que de matrerial ordinário e com propaganda explícita) vale muito mais do que um ser humano de "segunda classe"... Ao menos é o que resta da pregação

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  2. Boa observação, mestre Kiko!
    Coloquei no meu blog:
    www.ratoqri.blogspot.com
    Abraço
    Simch

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  3. Adorei seu blog, muito bom o foco dele.
    Nosso estado precisa acordar urgente e voltar aos tempos em que servia de exemplo para o resto da nação!!!!

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