24 de out de 2011

A verdade liberta, por Rita Sanco

 Rita Sanco, prefeita eleita pelo voto dos cidadãos de Gravatai

Gravataí está nos noticiários da semana, não pelas suas importantes conquistas administrativas respaldadas pela participação popular, mas porque se constituiu na Câmara Municipal uma maioria oposicionista circunstancial contra os representantes legitimamente eleitos pela população para governar a cidade entre 2009 e 2012. A cassação de meu mandato de prefeita, assim como o do vice, Cristiano Kingeski, votada por 10 vereadores do município, é uma afronta às regras de convivência política sob o Estado Democrático de Direito e responde por um nome: golpe. Além do PMDB, do PP, do PV e do DEM, siglas que tradicionalmente se opõem a nosso projeto de sociedade, tomaram parte na injustiça golpista o PTB e o PSB.

Sem identidade programática, a composição que impetrou o ato violento, calando a vontade das urnas, revela a que ponto pode chegar a luta pelo poder, quando esta se esgota em si mesma. Não há nada que, com base nos fatos e nos procedimentos em relação à coisa pública, justifique esse retrocesso institucional nas relações do Legislativo com o Executivo, o qual sequer foi investigado por uma CPI. O que há é a sede do poder, que conduz à deterioração do conceito de política como busca do bem comum. Não apostem, contudo, na falta de memória dos gaúchos em geral e dos gravataienses em particular.

Na ausência de provas para as falsas acusações, pífias em termos jurídicos, o condomínio que enxovalhou a democracia recorre ao argumento de que a prefeitura teria comprometido as finanças municipais ao negociar dívidas com instituições públicas. A mais citada, é uma dívida com a CEEE, que remonta ao período de 1992 a 1997, adquirida e cobrada pelo Banrisul em um processo que se arrastou até início de 2011, quando o banco enfim aceitou um acordo em que abria mão de todas as atualizações monetárias, juros e multas, resguardando somente a atualização pela taxa Selic. Assim, a dívida que beirava R$ 84 milhões foi reduzida para R$ 24,5 milhões fixados em acordo firmado ad referendum da Câmara de Vereadores, e depois aprovado pela mesma. A negociação fechou em excelentes condições, permitindo que o município voltasse a obter crédito, financiamento e recursos para a qualificação da vida de seus moradores. A ilação de que a dívida chega a R$ 150 milhões é descabida, soa como uma interessada mágica financeira. Esperamos pela Justiça.



Charge -Blog do Kayser

Um comentário:

  1. O que me causa espanto é que o IBSEN, o mesmo que foi injustamente cassado, apoiou todo este "emporcalhamento" político acontecido com a pobre e inocente Rita. Mas o troco, certamente virá Sr. Ibsen, muito cuidado nas suas relações com o seu conterrâneo e colega de partido Padilha...

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