11 de out de 2009

O caso Cutrale, uma história de grilagem de terras


Na tentativa de desqualificar os movimentos sociais, principalmente o MST, os barões da mídia disparam diariamente seus torpedos, chamando os agricultores sem-terra de bandidoss, baderneiros e vagabundos. O cavalo de batalha da mídia de agora é a fazenda de 2.400 hectares que a empresa Cutrale se diz proprietária e mais uma área de 50 mil hectares localizada no centro-oeste do Estado de São Paulo, entre os municípios de Iaras, Borebi, Agudos, Lençóis Paulistas e Águas de Santa Bárbara. Com a ocupação da fazenda pelo MST e o foco da mídia nacional, agora é possível desvendar a verdadeira história dessas terras.

A midia guasca não fala, por exemplo, que toda essa área é do governo Federal e que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária de São Paulo confirmou que estão irregularmente em terras da União todos esses proprietários e ou empresas com fazendas.

A tal fazenda foi comprada pela União em 1909 para instalar colonos,mas segundo o Incra o projeto não vingou, e as áreas ficaram desocupadas, levando a um processo de ocupação irregular. O superintendente diz que o Incra, em 2003, foi condenado pela Justiça a implantar assentamentos no local. A partir daí foi feito um levantamento para identificar o histórico das terras. Os atuais ocupantes foram informados sobre a titularidade irregular.

Imaginem se hoje, com toda a tecnologia à disposição, ainda existe em larga escala a ocupação de terras do Estado, grilagens, queimadas e assassinatos, imaginem como era o processo no inicio do século passado, inclusive com a formatação de documentação dessas terras.

O MST publicou nota afirmando que ocupa fazendas que têm origem na grilagem de terras públicas, como acontece, por exemplo, no Pontal do Paranapanema e em Iaras (empresa Cutrale), no Pará (Banco Opportunity) e no sul da Bahia (Veracel/Stora Enso). São áreas que pertencem à União e estão indevidamente apropriadas por grandes empresas, enquanto se alega que há falta de terras para assentar trabalhadores rurais sem terras.

O MST também afirma que as famílias acampadas recorreram à ação na Cutrale como última alternativa para chamar a atenção da sociedade para o absurdo fato de que umas das maiores empresas da agricultura - que controla 30% de todo suco de laranja no mundo - se dedique a grilar terras. Já havíamos ocupado a área diversas vezes nos últimos 10 anos, e a população não tinha conhecimento desse crime cometido pela Cutrale.

O MST também lamentou o desvio de conduta de um integrante na ocupação e que o episódio não representa a linha do movimento. O MST de São Paulo reafirmam também que não houve depredação nem furto por parte das famílias que ocuparam a fazenda da Cutrale. Quando as famílias saíram da fazenda, não havia ambiente de depredações, como foi apresentado na mídia.

À sociedade, oa líderes do movimento pediram que não julguem a luta pela Reforma Agrária pela versão apresentada pela mídia, pois no Brasil, há um histórico de ruptura com a verdade e com a ética pela grande mídia, para manipular os fatos, prejudicar os trabalhadores e suas lutas e defender os interesses dos poderosos. Segundo o MST, apesar de todas as dificuldades, dos seus erros e acertos e, principalmente, das artimanhas da burguesia, a sociedade brasileira sabe que sem a Reforma Agrária será impossível corrigir as injustiças sociais e as desigualdades no campo. De nossa parte, temos o compromisso de seguir organizando os pobres do campo e fazendo mobilizações e lutas pela realização dos direitos do povo à terra, educação e dignidade.
* Grifo pessoal
Fontes consultadas: MST/ http://diariogauche.blogspot.com

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