1 de ago de 2009

Nossa justiça é isso ai


A "justiça", guardem bem essa palavra, proibiu o jornal "O Estado de S.Paulo" de publicar reportagens que contenham informações da Operação Faktor, mais conhecida como Boi Barrica. O recurso judicial, que pôs o jornal sob censura, foi apresentado pelo empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).
A foto publicada acima mostra o desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) no casamento de Mayanna Maia, filha de Agaciel, em 10 de junho, em Brasília. Dácio era ex-consultor jurídico do Senado e do círculo social da família Sarney e do ex-diretor-geral Agaciel Maia, e foi ele que determinou a decisão judicial de proibição do material.

Centenas de Desembargadores, juizes, advogados e altos funcionários públicos têm relações com políticos de todos os partidos e uma relação muito afetiva com os donos da grande mídia. Ao mostrar o desembargador junto de Sarney e de Agaciel, para mim revela não somente que o magistrado não possui isenção para tal ato de censura, mas também que a sociedade brasileira precisa exigir reformas profundas na estrutura da justiça brasileira. Aqui no RS, passamos por uma crise sem precedentes, com falta ou fechamento de escolas e da situação de nossos presídios nem precisa falar. No entato, os caminhos embaçados dos recursos públicos de taxas e outros impostos faz com que nossa justiça aja como uma mega-construtora, ampliando e edificando fóruns e mais fóruns. Em contrapartida nossa população a cada dia tem menos acesso a tal da justiça e não chega na ponta mais pobre e que mais necessita.
Pude constatar isso nos olhos e nas palavras dos pequenos agricultores e agricultoras que produzem e vendem seus maravilhosos produtos coloniais (massas,capeletis e tortéis) aos visitantes da pequena e amável cidade de Monte Belo, na serra gaúcha. Lá, da sede do nosso rigoroso Ministério Público, o promotor enquadrou os agricultores exigindo que esses tenham todas as licenças sanitárias e fiscais para a comercialização de tais produtos. Não sou contra, mas isso não se impõe, se constrõe com o apoio das instituições públicas e isso sim é justiça.
Aliás, sugiro que esse mesmo Mistério Público tenha a mesma agilidade para impedir que empresas joguem lixo industrial nas encostas dos morros daquela linda região. Quem conhece o local sabe de quem e do que estou falando. Nossa justiça é isso ai, como uma Coca-cola: a gente "toma" ahahahahah, mas não se sabe o que tem dentro.

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